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Zico encabeça a lista dos *gigantes* sem Copa
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Zico encabeça a lista dos *gigantes* sem Copa

O jornal americano The Athletic publicou nesta quarta sua lista dos maiores jogadores de todos os tempos que nunca conquistaram uma Copa do Mundo — e o brasileiro Zico abre a reportagem como protagonista absoluto.

A consagração de um talento sem taça

Dribles desconcertantes, passes em profundidade incisivos, gols em ritmo de centroavante. A descrição do The Athletic para Zico não deixa dúvidas: o camisa 10 da seleção brasileira de 1982 foi um meia-atacante completo — e talvez por isso mesmo encarne a frustração mais dolorosa do futebol.

Para a publicação americana, aquele Brasil de 1982 divide com a Holanda de 1974 o título de seleção mais aclamada a jamais conquistar o torneio. E Zico era o seu grande protagonista, o maestro de um time que prometia redefinir o futebol e caiu diante da Itália ainda na segunda fase.

A lista do The Athletic não considera grandes atuações de jogadores que venceram a Copa em outra edição — casos de Ronaldo em 1998, Zidane em 2006 ou Messi em 2014. Trata-se exclusivamente de quem jamais ergueu o troféu, mesmo tendo brilhado em campo.

Os cinco maiores sem título mundial

Zico (Brasil, 1982)

Meia-atacante completo, dono de dribles desconcertantes e passes incisivos. Protagonista do Brasil de 1982, uma das seleções mais aclamadas da história a não conquistar o título.

Johan Cruyff (Holanda, 1974)

Líder da Holanda que elevou o nível do futebol mundial com fluidez de jogo e linha defensiva alta. Desfrutava de liberdade absoluta num time que prezava o coletivo.

Sándor Kocsis (Hungria, 1954)

Marcou 11 gols na Copa de 1954, incluindo três na goleada de 9 a 0 sobre a Coreia do Sul e quatro na vitória por 8 a 3 sobre a Alemanha Ocidental. Desempenho superior ao do lendário Puskás.

Eusébio (Portugal, 1966)

Nascido em Moçambique, mudou-se para Lisboa aos 18 anos e tornou-se ídolo do Benfica. Anotou nove gols na Copa de 1966, eliminando o Brasil por 3 a 1 e a Coreia do Norte por 5 a 3.

Michael Ballack (Alemanha, 2002)

Fisicamente imponente, consistente e brilhante ao surgir de surpresa na área. Protagonista da equipe vice-campeã em 2002 com três gols, mas perdeu a final por suspensão.

Quando o talento não bastou

A trajetória de Kocsis na Copa de 1954 ilustra bem a crueldade do torneio. Ele marcou três gols na maior goleada da história das Copas, quatro numa vitória avassaladora sobre a Alemanha Ocidental na fase de grupos, dois contra o Brasil e ainda contribuiu com gol e assistência na semifinal diante do Uruguai. Tudo isso para ver a Hungria perder justamente para os alemães na final — a mesma seleção que havia sido humilhada por 8 a 3 semanas antes.

Eusébio, por sua vez, carregava Portugal nas costas em 1966, numa época em que o país ainda não era considerado potência. Nascido em Moçambique e eleito o melhor jogador português do século XX, ele eliminou o Brasil tricampeão com três gols e virou um jogo de 3 a 0 contra a Coreia do Norte nas quartas, marcando quatro vezes na vitória por 5 a 3.

Já Ballack encarna o perfil clássico alemão: fisicamente imponente, consistente, dominante sem ser vistoso. Não ditava o ritmo, mas surgia de surpresa na área para fazer a diferença. Protagonizou a campanha alemã de 2002 com três gols decisivos — e assistiu à final contra o Brasil do banco, suspenso.

Cruyff e a Laranja Mecânica

A Holanda de 1974 merece um parágrafo à parte. Para o The Athletic, aquela equipe elevou o nível do futebol e encantou o público com fluidez de jogo, linha defensiva alta e postura ofensiva constante. Era um time que prezava o coletivo acima do individualismo — mas Cruyff claramente desfrutava de liberdade para jogar como bem entendesse.

Ele destoava do padrão, segundo a publicação, justamente porque conseguia ser o astro de um sistema que não deveria ter astros. A Laranja Mecânica perdeu a final para a Alemanha e deixou a sensação de que o melhor futebol daquele Mundial não levou o título.

Perguntas frequentes

Por que a seleção brasileira de 1982 é tão lembrada?

O time de Zico, Sócrates, Falcão e Júnior praticava um futebol ofensivo e criativo que marcou época, sendo considerado ao lado da Holanda de 1974 uma das seleções mais aclamadas a não conquistar o título mundial. A eliminação para a Itália por 3 a 2 na segunda fase virou símbolo de talento desperdiçado.

Quantos gols Sándor Kocsis marcou na Copa de 1954?

Kocsis anotou 11 gols na competição, incluindo três na goleada de 9 a 0 sobre a Coreia do Sul (maior vitória da história das Copas), quatro na vitória por 8 a 3 sobre a Alemanha Ocidental, dois contra o Brasil e um gol mais uma assistência na semifinal diante do Uruguai.

Por que Michael Ballack não jogou a final de 2002?

Ballack estava suspenso para a final contra o Brasil. Ele foi o protagonista da campanha alemã com três gols decisivos, mas recebeu cartão amarelo na semifinal e teve que assistir à derrota por 2 a 0 do banco de reservas.