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Tuchel herda o *legado* de Southgate nas cobranças de pênaltis
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Tuchel herda o *legado* de Southgate nas cobranças de pênaltis

O novo técnico da Inglaterra confirmou: vai seguir à risca o planejamento de pênaltis criado por Southgate, que transformou o histórico inglês de 1 vitória em 7 disputas para 3 em 4. A primeira prova de fogo pode vir já nesta quarta-feira.

O que mudou com Southgate

A filosofia que virou programa oficial

Quando Southgate assumiu a seleção inglesa em 2016, herdou um trauma histórico: apenas uma vitória em sete disputas de pênaltis em grandes torneios. A única exceção havia sido contra a Espanha nas quartas da Euro 96 — justamente o torneio em que o próprio Southgate, ainda jogador, errou a cobrança decisiva contra a Alemanha nas semifinais.

A resposta não foi terapia coletiva, mas ciência aplicada. Southgate construiu uma filosofia baseada em três pilares: pênaltis não são loteria, clareza vale mais que talento, e preparação muscular substitui pressão psicológica. A Federação Inglesa (FA) transformou isso em programa oficial, com treinamentos regulares que simulavam ao máximo a experiência real — desde a caminhada solitária até a marca da cal até os primeiros segundos após a cobrança.

Os cobradores eram definidos com antecedência, a ordem também. Mas o detalhe que virou lenda: cada jogador ganhava um 'buddy', um companheiro designado para recebê-lo na linha do meio-campo após a longa caminhada de volta. A ideia era dividir a pressão, diluir a solidão. O goleiro Jordan Pickford levava anotações na garrafa de água com detalhes da pesquisa sobre os adversários. E Southgate assumia publicamente toda a culpa — nunca os jogadores.

O histórico de Southgate nas disputas

Tuchel assume o método — com ressalvas

"A FA tem um programa que está em vigor há anos e nós seguimos o programa", declarou Tuchel na véspera do jogo contra a RD Congo, que acontece nesta quarta-feira às 17h (horário de Brasília) em Atlanta. "Estamos preparados. Temos um processo, os jogadores têm um processo."

Mas o técnico alemão, em seu primeiro grande torneio à frente de uma seleção, não alimentou ilusões. "Acho difícil simular a situação de uma disputa de pênaltis. Ouvi Thierry Henry dizer que não consegue se lembrar da caminhada da linha do meio-campo até a marca do pênalti na sua primeira disputa pela França — você não consegue treinar isso."

Questionado se os jogadores poderiam escolher cobrar, Tuchel foi direto: "Sabemos quem cobra e sabemos a ordem, mas não sabemos quem termina o jogo." A transparência, ao menos, segue sendo herança de Southgate.

O ajuste aprendido na dor: tempo de jogo importa

A única derrota de Southgate nas cobranças trouxe uma lição cara. Na final da Euro 2020 contra a Itália, ele colocou Marcus Rashford e Jadon Sancho em campo nos últimos segundos da prorrogação, especificamente para bater pênaltis. Ambos erraram.

A análise posterior foi brutal: sem tempo para sentir o ritmo da partida, os dois entraram frios na pressão máxima. Southgate ajustou o protocolo: cobradores precisariam de mais minutos em campo antes da disputa. Na Euro 2024, contra a Suíça, a Inglaterra venceu nos pênaltis — e o aprendizado de Wembley estava incorporado.

A estreia do método sob novo comando

Tuchel não espera brilho contra a RD Congo. "Enfrentamos na verdade uma cópia do Panamá e da Gana nas oitavas de final", disse, referindo-se aos adversários do Grupo L. "Veremos a melhor versão nossa se superarmos as próximas rodadas e avançarmos no torneio... quando as equipes realmente quiserem nos vencer e não nos segurar e nos impedir de jogar."

A RD Congo terminou em terceiro no Grupo K, com um empate em 1 a 1 com Portugal, derrota por 1 a 0 para a Colômbia e vitória por 3 a 1 sobre o Uzbequistão. "Este não é o momento de brilhar e esperar atuações glamorosas. Este é o momento de passar, de fazer o trabalho, de mostrar qualidade individual e pequenos momentos", completou Tuchel.

Se o jogo chegar aos pênaltis, será o primeiro teste real do programa de Southgate sob nova gestão. A diferença é que agora o homem no banco técnico não carrega a cicatriz da Euro 96 — mas herdou o manual que a transformou em combustível.

Perguntas frequentes

Qual era o recorde da Inglaterra em pênaltis antes de Southgate?

Antes de Southgate assumir em 2016, a Inglaterra tinha vencido apenas 1 de 7 disputas de pênaltis em grandes torneios — a única vitória foi contra a Espanha nas quartas da Euro 96. Sob Southgate, o aproveitamento subiu para 3 vitórias em 4 disputas.

O que é o 'buddy system' nas cobranças de pênaltis?

É uma estratégia criada por Southgate: cada cobrador tem um companheiro designado para recebê-lo na linha do meio-campo após a cobrança. A ideia é dividir a pressão psicológica e acabar com a sensação de solidão após o longo trajeto de volta.

Por que Rashford e Sancho erraram na final da Euro 2020?

Southgate os colocou em campo apenas nos últimos segundos da prorrogação, especificamente para bater os pênaltis. A análise posterior concluiu que não tiveram tempo suficiente para sentir o ritmo do jogo, entrando frios na pressão máxima. Ele ajustou o protocolo depois disso.

Tuchel vai mudar alguma coisa no método de Southgate?

Não. Tuchel afirmou que seguirá o programa estabelecido pela FA há anos, mantendo o processo de preparação, a definição prévia dos cobradores e a ordem das cobranças. Ele reconheceu, porém, que é impossível simular completamente a pressão de uma disputa real.