A cicatriz de 2022 que Marquinhos carrega para o Japão
Três anos e meio depois de perder pênalti e levar virada nos últimos minutos contra a Croácia, o capitão da Seleção sabe: no mata-mata, um segundo de desatenção custa a vaga. E favoritismo não garante nada.
O recado de Marquinhos
- Jogos pela Seleção108
- Trauma de 2022Gol sofrido a 4' do fim
- Lição do PSGPerdeu pro Botafogo no Mundial
- Aviso pro grupo"Um segundo pode custar"
A ferida ainda queima
Marquinhos não esquece. Em novembro de 2022, o Brasil vencia a Croácia por 1 a 0 na prorrogação das quartas de final. Faltavam 4 minutos. Então veio o empate croata, os pênaltis, a eliminação — e o pênalti perdido pelo próprio zagueiro na disputa contra a Escócia, ainda na fase de grupos daquela Copa. A ferida, como ele mesmo diz, ainda está "bem próxima da retina".
Agora, às vésperas do confronto contra o Japão nas oitavas da Copa de 2026, o capitão da Seleção usa a dor de três anos e meio atrás como combustível e alerta. "Por experiência própria em outra Copa, a gente viu o quanto é importante estar focado em cada momento, em cada detalhe do jogo. Um detalhe, um segundo pode custar a classificação", afirmou o jogador do PSG em entrevista coletiva.
É um Marquinhos diferente que chega para este mata-mata. Mais maduro, mais cético em relação ao favoritismo, mais obcecado pelos detalhes. "A gente não pode se deixar levar pelo que falam", disse. "Na última Copa falavam muito bem do nosso time, que a gente ia chegar, que éramos a possível seleção campeã. A gente tem que estar focado no jogo. Simplesmente naquilo que a gente pode controlar."
Favoritismo? Ele lembra do Botafogo
Para deixar claro que não subestima ninguém, Marquinhos sacou um exemplo doloroso: a derrota do PSG para o Botafogo no Mundial de Clubes do ano passado, também nos Estados Unidos. "Muitos falavam que a gente estava muito acima do Botafogo. Então o futebol você tem que mostrar dentro de campo", disparou.
O recado é direto: mesmo contra o Japão, que chegou às oitavas com méritos mas não tem o status de favorito, a Seleção precisa de máxima concentração. "O futebol vem se equilibrando, vem se nivelando cada vez mais. Nos últimos anos a gente viu isso, nas últimas edições de Copa do Mundo vimos muito time grande, muita seleção grande cair para times que talvez não estavam em primeira prateleira no passado."
Marquinhos destaca que o Japão mostrou qualidade na primeira fase, tem disciplina tática, mobilidade e força coletiva. "Jogaram contra grandes equipes nessa primeira fase e mostraram bom futebol. A gente tem que fazer excelente jogo para ganhar porque vai ser muito difícil."
O que mudou no Brasil desde o começo da Copa
- Evolução gradual: primeiro jogo irregular, segundo melhor, terceiro já em crescente — exatamente o padrão que Marquinhos considera ideal para chegar forte ao mata-mata.
- Solidez defensiva: dois jogos sem sofrer gols, com Alisson fazendo grandes defesas e o time mais compacto taticamente. "Estando melhor posicionado, você estando mais compacto, isso potencializou todos os jogadores", explicou o zagueiro.
- Estratégia definida: treinamentos focados, análise de vídeos e um plano claro para anular os pontos fortes do Japão, que a Seleção já enfrentou em amistoso antes da Copa.
- Fator mental: Marquinhos considera que, além da preparação física e tática, o equilíbrio psicológico será decisivo. "Esse fator mental vai ser muito importante. Você estando mentalmente bem e forte, eu acho que é um grande fator pra gente fazer um grande jogo."
Mata-mata é outro campeonato
Com 108 jogos pela Seleção, Marquinhos sabe que a fase de grupos e o mata-mata são competições distintas. "Fase de grupos é uma coisa, o importante é se classificar. O mata-mata é uma competição nova. Temos que dar um passo de cada vez."
Ele conversa com os mais jovens do elenco sobre o que viveu em Copas anteriores, passando confiança mas cobrando atenção total. "A gente tenta passar um pouco para a galera mais nova que está pela primeira vez na competição", disse. E o principal recado é ignorar o barulho externo. "A gente tem que esquecer o que se diz do lado de fora da concentração brasileira."
Para Marquinhos, o próximo jogo é sempre o mais especial — mas este contra o Japão carrega um peso extra. É a chance de exorcizar os fantasmas de 2022, de provar que a Seleção aprendeu com as dores do passado. "A gente confia na gente, a gente vai buscar essa classificação e cada vez mais ganhar confiança para chegar no nosso grande sonho."
Perguntas frequentes
O que aconteceu com Marquinhos na Copa de 2022?Marquinhos perdeu um pênalti na fase de grupos contra a Escócia e, nas quartas de final contra a Croácia, viu o Brasil levar o empate a 4 minutos do fim da prorrogação quando vencia por 1 a 0. A Seleção acabou eliminada nos pênaltis.
Por que Marquinhos citou a derrota do PSG para o Botafogo?Para ilustrar que favoritismo não decide jogos. O PSG era amplamente favorito no Mundial de Clubes do ano passado, mas perdeu para o Botafogo. É um alerta para a Seleção não subestimar o Japão.
Como o Brasil evoluiu durante a fase de grupos?A Seleção começou irregular no primeiro jogo, melhorou no segundo e cresceu ainda mais no terceiro. Nos dois últimos jogos, não sofreu gols, ficou mais compacta taticamente e ganhou confiança — o timing ideal para encarar o mata-mata.
Qual é o ponto forte do Japão que preocupa o Brasil?Segundo Marquinhos, o Japão tem mobilidade de jogo, disciplina tática coletiva e força mental. A equipe japonesa fez bons resultados contra grandes seleções europeias nos últimos anos e mostrou bom futebol na primeira fase.