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Solbakken entrega o jogo e mira Brasil — ou quase
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Solbakken entrega o jogo e mira Brasil — ou quase

Dez mudanças, Haaland e Ödegaard no banco, goleada sofrida de 4 a 1. O técnico norueguês admitiu sem rodeios: foi tudo calculado para chegar inteiro nas oitavas. Mas na hora de falar sobre um possível duelo com a Seleção, desconversou.

A conta de Solbakken

A decisão óbvia — e arriscada

Staale Solbakken não fingiu surpresa nem arrependimento. Diante da França, nesta sexta-feira, a Noruega entrou em campo com um time reserva quase inteiro — dez mudanças em relação à vitória sobre Senegal na segunda anterior. Haaland e Ödegaard, as duas estrelas que o mundo esperava ver, nem aqueceram. O placar de 4 a 1 era esperado. A lógica do técnico, também.

"Era óbvio da minha parte, da fisiologia, e da parte médica e de alguns jogadores, também. Muitos disseram que seria difícil. Jogadores que atuaram contra Senegal não poderiam treinar. Eles queriam Haaland e Ödegaard. Mas temos que pensar em ir longe. Foi algo óbvio", explicou Solbakken após a partida.

A decisão não foi apenas técnica — foi estratégica. Mesmo com chance matemática de brigar pela liderança do Grupo I, o treinador preferiu preservar o físico de olho na segunda fase. A Costa do Marfim, adversária nas oitavas, teria um dia a mais de descanso. Agora, segundo Solbakken, a diferença foi neutralizada.

O elefante na sala: e se for o Brasil?

Com o segundo lugar no Grupo I garantido, a Noruega pode encarar o Brasil nas oitavas — desde que vença a Costa do Marfim e a Seleção passe pelo Japão. A estatística é provocativa: o Brasil nunca venceu a Noruega em quatro jogos oficiais (dois empates, duas derrotas). Mas quando o assunto foi levantado na coletiva, Solbakken desviou com a mesma frieza com que escalou o time reserva.

"A gente tem um longo caminho até pensar nisso. O Brasil pode falar nisso. Temos um jogo contra Costa do Marfim, eles são um bom time, um dos melhores times fisicamente. Brasil é favorito contra Japão e provavelmente vai passar, mas nosso jogo é como contra Senegal, 50-50. Temos que dar o melhor para o jogo", concluiu.

Desconversa? Talvez. Mas a mensagem estava dada: a Noruega não vai queimar o cartucho antes da hora. Se o caminho cruzar com o Brasil, que seja com Haaland e Ödegaard descansados.

O plano de Solbakken em três atos

Os protagonistas do cálculo norueguês

Staale Solbakken (Técnico)

Ex-zagueiro e treinador pragmático, assumiu a Noruega em 2020 após passagens por Copenhague e Wolverhampton. Conhecido por decisões frias e gestão de elenco cirúrgica.

Erling Haaland (Centroavante)

23 anos, artilheiro implacável do Manchester City. A principal arma norueguesa — e o nome que Solbakken não quis arriscar contra a França.

Martin Ödegaard (Meia)

Capitão da Noruega e do Arsenal. Cérebro do time, ficou no banco ao lado de Haaland enquanto Solbakken apostava no longo prazo.

Aursnes (Volante)

Único jogador a atuar tanto contra Senegal quanto contra a França. Peça-chave na transição, ganhou a confiança de Solbakken para aguentar três jogos em seis dias.

O que está em jogo agora

Perguntas frequentes

Por que Solbakken não escalou Haaland e Ödegaard contra a França?

Para preservar os titulares fisicamente. Segundo o técnico, os jogadores que atuaram contra Senegal na segunda-feira não tinham condições de treinar nos dias seguintes. Com a Costa do Marfim tendo um dia a mais de descanso, Solbakken optou por poupar as estrelas e igualar a condição física nas oitavas.

É verdade que o Brasil nunca venceu a Noruega?

Sim. Em quatro confrontos oficiais, o Brasil tem dois empates e duas derrotas. Os empates foram em 1997 e 1998, e as derrotas nas Olimpíadas de 1984 (1 a 0) e no Torneio da França em 1998 (2 a 1). Nenhum jogo, porém, foi em Copa do Mundo.

Quando é o próximo jogo da Noruega?

Terça-feira, às 14h (horário de Brasília), contra a Costa do Marfim, em Dallas. Quem vencer enfrenta o vencedor de Brasil x Japão nas oitavas de final.

A estratégia de Solbakken pode dar errado?

Sim. Se a Noruega for eliminada pela Costa do Marfim, a derrota acachapante de 4 a 1 para a França vira um tiro no pé. Mas se passar, Solbakken será visto como um estrategista que jogou no longo prazo — e possivelmente colocará Haaland e Ödegaard descansados diante do Brasil.